sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
tom waits - since i fell for you
eu morro.
ela some.
eu quebro coisas.
ela não liga.
eu falto no trabalho.
ela sorri.
eu gosto.
eu estou perdido.
o tom waits faz piadas no meio das músicas.
eu rio.
o telefone ainda não tocou.
esqueço o motivo do riso.
as pessoas batem palmas.
eu acho inapropriado bater palmas numa música tão triste.
o winamp "aleatoriamente" escolhe paul & john pra me contar que "she no longer needs you".
eu dou rewind.
I guess I'll never see the light.
I get the blues most every night,
since I fell for you...
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
the viscounts - who put the bomp
robbie williams - kooks
Mas eu provavelmente vou ser um desses pais esquisitos, que vêem o filho de 6 em 6 meses, esquecem que o moleque é diabético e levam pra tomar sorvete. E ainda obrigam o moleque a ver Nosferatu com 3 anos de idade e achar o máximo. Eu tenho um problema sério em cuidar das coisas e das pessoas, mesmo gostando delas. Piso na ponta do cadarço dos tênis até gastar, penso em cartas que não mando, deixo minhas plantas morrerem de sol ou de água demais, sou cruel e esqueço de dizer que é brincadeira, deixo os livros espalhados pela casa, esqueço aniversários e arranho dvds. Mas de vez em quando eu lembro que eu gosto e coloco os livros que serviram de escrivaninha por uma semana em destaque na estante, ligo às 5 da manhã e digo umas coisas honestas, bobas e bonitas.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
lemon jelly - space walk
Nem que seja de amor à lua, às estrelas, à gravidade zero e todas essas coisas inúteis e bonitas que a gente devia se contentar em "ver" de longe e continuar acreditando nas constelações mesmo que suas estrelas estejam há milhões de anos-luz uma das outras e provavelmente nunca tomaram um café juntas. E a gente ainda acha super verossímil bater no peito e afirmar "sou de leão" ou áries, ou aquário, ou peixes... É assim, cada um escolhe suas mentiras e nos resta fazer aquela força de vontade pra acreditar, que uns chamam de fé, outros de ciência. Mas honestamente eu acho que ter sido micro-organismo, depois peixe, depois macaco, depois gente tão bobo quando adão e eva, e isso não interfere na minha vida mesmo. As mentiras que me interessam são muito mais sutis e perigosas.
sábado, 13 de janeiro de 2007
louis armstrong - a kiss to build a dream on
Quando você ouve pela primeira vez a voz doce de satchmo e o trompete alegrinho, olha praquele rosto simpático e os ternos bacanas, tudo te leva a pensar que esse é só mais um belo standard, que como quase todos os standards, fala de amor. Porém não se engane, essa música é sobre obsessão. Não se constrói um porra nenhuma em cima de um beijo, só sonhos estúpidos mesmo. Ficar tecendo romances imaginários e fazendo de conta que são verdade não é fofo, é stalking.
Não existe essa porcaria de relacionamento unilateral que essa música quer fingir que existe. Quer dizer, tem, mas acabou. Podia existir em 1940, hoje em dia não existe, tudo passa rápido demais , os trens, os carros, a tevê, as pessoas, os sonhos. Não dá pra viver na imaginação, você perde tempo que poderia estar gastando com pessoas muito mais legais e se divertindo com a coisa real. Ou talvez eu esteja assistindo tevê de menos e cabeça vazia é oficina do diabo.
Fique esperto, caia fora. Amor platônico é uma bosta. Tem coisas muito mais interessantes pra construir um sonho em cima, inclusive esse mundo fodido e injusto que nós temos que salvar. Ou então basta a solução individual de encher o rabo de grana e pronto. Você devia entender isso de uma vez por todas, matheus novaes, parar de ouvir vinil velho e acreditar em histórias velhas e ficar com os olhos cheios de lágrimas quando escuta satchmo e lembra de todas as vezes que você acreditou nisso e que daqui a cinco minutos em um sorriso, um café, um elogio torto ou uma música em comum você vai beijar a lona de novo na impressionante velocidade de um chevrolet acertando um poste, e tocar satchmo no rádio não vai atenuar o impacto.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
joan of arc - a picture postcard
